Roberto Castillo é o novo rei do xadrez na fronteira

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Ele venceu o Torneio Farroupilha de Xadrez – II Copa do Rei, disputada neste domingo dia 19 na sala vip do Bobby Fischer Xadrez Clube com apoio institucional e cultural da Secretaria Municipal de Esporte Cultura e Lazer de Sant’Ana do Livramento e que teve enxadristas de toda a região.

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A HISTÓRIA DE UM CAMPEÃO EM CAPÍTULOS

Epílogo: Ele tropeçou na primeira rodada. Por um descuido deixou sua Dama na diagonal da Torre. Um erro capital para a qualidade do Ídolo

Riverense de Xadrez. Muito pior porque ele tinha pela frente ninguém menos do que Pablo Lara – o campeão da I Copa do Rei de Xadrez Internacional e buscava o bi. Pablo lhe aplicou um tático – ou seja, posicionou seu Bispo na “cara” da Dama do Castillo  sem nenhuma proteção. Seria um suicídio ou um simples erro. Aparentemente para sair da ‘cravada’  bastaria capturar o Bispo  e estaria tudo resolvido. Acontece que de boas intenções o inferno está cheio – logo pensou Castillo. Aquela peça estava envenenada. Se ele tirasse a Dama cairia a Torre. Mas porque não comeu o tal Bispo que estava sem nenhuma proteção. Ocorre que se   tratava de uma armadilha. Comendo a tal peça Castillo levaria um ataque triplo deCavalo  juntamente com um fulminante xeque. Não era mate. Mas era como se fosse.  A casa toda desmoronaria. Em sequencia a Dama.  Mais um  xeque quem sairia do jogo seria a Torre e o Rei do Castillo ficaria a mercê de um iminente xeque-mate. Castillo não conquistou a fama de ídolo riverense à toa. Ele teve a sabedoria suficiente para saber o momento de abandonar e não se desgastar tentando “tirar leite de pedra”. Era apenas a primeira rodada das seis programadas. Havia tempo para uma possível recuperação.

capítulo 1: E não é que Castillo estava certo. A partir daquela primeira rodada ele retomou a jornada de grandes e memoráveis vitórias. Ele estava fazendo sua parte – mas comoaqueles dois pontos que perdera no início estavam pesando a favor de Pablo. Castillo dependia de que alguém conseguisse derrotar Pablo Lara. Uma tarefa muito difícil. A exemplo do Ídolo Riverense – Pablo também estava fazendo o dever de casa. E como. Quando não vencia com seus espetaculares xeques-mates repletos de jogadas de raras belezas  –  os contendores simplesmente abandonavam. A vida de Castillo não estava sendo fácil. Quem sabe depois do almoço as coisas não melhorariam. Talvez, pensou. Ninguém é imbatível.

capítulo 2: As duas primeiras rodadas da manhã – de 15 , 30 e 45 minutos apenas serviram para confirmar o favoritismo de Lara e alternar as colocações abaixo. Veio o almoço e o Bobby Fischer Xadrez Clube  mais uma vez comprovou que é uma exceção no que promove e da forma com que trata os enxadristas. Serviu um frondoso almoço com tudo o que tem de direito e sem cobrar um tostão sequer. Tudo de cortesia.

As 13h30min reiniciaram as atividades com rodadas de xadrez tradicional ou pensado com ritmo de duas horas por partida. A tarde prometia. Estava chegando a hora de ver quem estava realmente preparado para a pressão. E esta estava do lado de Castillo. Não exatamente a favor e sim contra. Lembremos que a esta altura dos acontecimentos Roberto Castillo jogava com mais de uma identidade – a dele e de todos que enfrentassem Pablo Lara.

capítulo 3: Castillo Tinha pela frente um osso duro de roer. Primeiro do ranking bajeense, campeão de Bagé e do Torneio da Independência. Roberto Mansur suscitava confiança. Entrou como favorito. Sim. Seu currículo e conquistas recentes corroboravam todo o favoritismo. Só que só isso não garantem a vitória. O jogo deve ser jogado. E foi aqui que Castillo mostrou sua força e sua condição de Ídolo Riverense. Se na primeira rodada ele fora  vítima de uma jogada de gênio – desta vez o iluminado foi ele. Aplicou um xeque-mate em Mansur que certamente irá ser objeto de estudos, análises e de muita discussão durante anos por todos os clubes e locais que forem narradas as conquistas de Roberto Castillo e principalmente da vez em que venceu o grande Mansur até então imbatível e invicto.

O xadrez é um esporte que nivela as ações por cima – ou seja, na medida em que se vença, os adversários são mais difíceis e de maiores qualidades e por consequência as dificuldades são maiores. E Castillo provou isso na pele. Mal havia deixado de lado um campeão com toda a sua estirpe – logo se viu diante do atual Campeão Departamental de Rivera. Diego Pelaez  trazia consigo a recente vitória contra a Lenda e o Mito do xadrez santanense – Valmir Souza. E agora o que fazer. Imaginou que o destino estava de armação e brincadeira com ele. Não era possível uma “pedreira atrás de outra”. Daquela forma não haveria cristão que aguentasse – pensou com seus botões.

interlúdio: No entanto ele não estava carregando essa cruz sozinho. Na mesa um Oscar Pablo não estava enfrentando uma realidade muito diferente da sua. Olhou para o lado e só viu “craque!” Era Valmir, Tiago Braz, Félix Maidana, o próprio Diego Fenômeno, Flaco Eduardo, Júlio Lito, Nilo Cruxen, Oscar Rodrigues, o quinteto de Bagé – enfim, naquele torneio só estavam jogando as feras.  Só que Pablo não havia pedido um pontinho sequer.

prelúdio: Mas foi na quinta rodada que as coisas começaram a mudar.  Depois de um jogo duríssimo que literalmente beirou duas horas de partida – o Menino Prodígio Santanense teve uma centelha de luz e fez Pablo provar de seu veneno. Pablo não sabia, mas Tiago Braz havia tomado o antídoto e o

sacrifício trocou de lado. Tiago deliberadamente e sem nenhuma proteção entregou sua Torre por um simples Peão em h3 com o xeque. Pablo nem pensou duas vezes. Capturou-a, mas esta era uma armadilha. Esta jogada fazia parte de um plano bem minucioso e arquitetado há algum tempo. Esta captura da Torre do Tiago  era o tempo que este necessitava para promover um Peão que estava em e2 para e1 e coroar este Peão em Dama. A partirdaí o Menino Prodígio Santanense selou o destino da partida até o final. 1×0 para Tiago.

capítulo final: Ao ficar sabendo da notícia – uma onda de adrenalina tomou conta de Castillo que partiu com tudo para cima do Campeão Departamental de Rivera. Dois uruguaios jogavam como num compasso de tango. Dois para cá – três para lá  e a célebre frase irrompeu o silêncio da sala vip do BFXC  –“Sinto muito Diego meu amigo, xeque-mate!” disse solenemente Roberto Castillo. Houve ainda a sexta rodada, mas Castillo  – já embalado e confiante, só

dependia dele próprio. Na mesa dois se Pablo derrotasse Diego, e foi o que fez, não seria suficiente, pois mesmo os dois com 13 pontos  o primeiro critério de desempate garantia o título para Castillo com a margem de 30 pontos. Assim a fronteira tem um novo rei do xadrez tradicional ou pensado. O montevideano eídolo riverense Roberto Castillo.

A Secretaria Municipal de Esporte Cultura e Lazer de Sant’Ana do Livramento premiou os dez primeiros com medalhas.

A Classificação Foi a seguinte: (clique para ampliar)

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