Derlei Alex Florianovitz vence 28ºClausura …

… com Rafael El Hanini colado no retrovisor!

Realizado que foi nos dias 3 e 4 de novembro deste ano atípico, a 28ª Edição dos Torneios Clausura Escola Aberta da Escola Celina Vares Albornoz promovido pelo Bobby Fischer Xadrez Clube – ambos de Santana do Livramento, fronteira oeste do Rio Grande do Sul com a cidade uruguaia de Rivera – mais conhecida como Wall Street dos free shops no MERCOSUL, uma alusão à famosa rua na cidade norte-americana de Manhattan Inferior onde corre dólares e muito mel pelos inúmeros bancos.

Hoje em tempos de pandemia e isolamento social nada melhor do que aproveitar a oportunidade e se beneficiar do mais lacônico – e quiçá o único, dos esportes para romper inteligentemente esta clausura forçada pelo vírus Convid 19 jogando tranquilamente animadas partidas de xadrez utilizando a plataforma LICHESS. E desta vez quase ninguém conseguiu se igualar ao catarinense Derlei Alex com 2251 de rating  que das 11 partidas empatou duas e venceu nove sagrando-se campeão.

QUASE…

Rafael El Hanini com seus 2156 de rating LICHESS como de costume não deixou barato. Fazendo valer sua condição de melhor enxadrista na atualidade da fronteira ficou tecnicamente igualado ao catarinense com dez pontos, nove vitórias e dois empates, mas perdendo no critério de desempates. Por esta razão teve que se contentar com o vice-campeonato deixando seu irmão Gustavo acenando desde o quarto com três pontos a menos e segurando seus 1978 pontos de rating.

A disputa que teve 26 concorrentes de todo MERCOSUL foi promovido em 11 rodadas no ritmo de 10 minutos com bônus de cinco segundos por jogada foi extremamente equilibrada e polarizada entre os dois candidatos a ML (Mestre Lichess) que, acreditem, venceram e também empataram curiosamente nas mesmas rodadas.  O problema maior enfrentado pelo gêmeo cruz maltino não é que seu time do coração está na iminência de cair para segunda divisão e sim os adversários derrotados por ele que não colaboravam.  E isto no xadrez é um problema. Ganhar de galinha morta é como receber um xeque sem fundo. Pura ilusão fantasiosa. No fundo, na hora da compensação este suposto crédito não entra e – bem dá pra imaginar o desfecho final.

 

Outro personagem que se destacou pelo fraco desempenho se for comparar com as edições anteriores – foi o professor universitário de filosofia de Santa Rosa Luiz Antônio Brandt e seus 2210 pontos de rating que por fim descobriu que no xadrez não basta olhar para as estrelas….fechar os olhos e filosofar. O que vale é o xeque-mate e, em especial se não vier de seu adversário. Ele até que teve um começo promissor – vencendo as duas primeiras contra adversários que não captaram seus ensinamentos e foram reprovados. Na rodada seguinte descobriu que as vitórias anteriores foram enganadoras e teve extrema dificuldade em dialogar com seu contendor da vez não conseguindo responder adequadamente a questão formulada e pediu para que o mesmo fechasse o caderno, mas deixasse marcada a questão que seria respondida em outra oportunidade.

Primeiro meio revés.

Empatou nesta terceira rodada. Não demorou em surgir na tela de seu Smartphone o emparceiramento da quarta rodada. Acariciou a  barba rala – ajeitou seus não menos messiânicos cabelos que se alongavam até os ombros e veio uma questão em sua mente. A quem deveria recorrer para esta batalha: Aristóteles, Immanuel Kant, Platão, René Descartes, Georg Hegel, São Tomás De Aquino, Ludwig Wittgenstein, ou David Hume. Não teve tempo para a escolha. A contagem regressiva do relógio iniciara sua viagem até cair nos limites do Planeta como assim acreditam os Terraplanistas.

Mas eis uma questão não devidamente avaliada pelo nosso professor. Ele esteve tão preocupado de onde viria o socorro que não considerou o fato que estes indigites da filosofia são filósofos como sugere a palavra e não enxadristas. Pelo menos até que se saiba. E nesta confusão de ideologia de gênero Brandt descobriu da pior maneira que escolhera errado. Perdeu sua partida derradeira que poderia lhe dar vento na camisa e conduzi-lo a voos mais altos que não apenas o terceiro lugar.

E assim transcorreu tranquilamente esta vigésima oitava edição do Torneio Clausura Escola Aberta entre mortos e feridos dos 26 apenas dez teve o privilégio de receber seu premiozinho de consolação. Ao grande vencedor Derlei Alex as glórias de um frondoso troféu que recebeu em sua residência em CHAPECÓ e os demais consideráveis medalhas de luxo. Tudo sem nenhum custo aos seus participantes a não ser seriedade e respeito às regras sem a necessidade do uso de nenhum recurso extra para lhe ajudar nas partidas – como, por exemplo…programas de xadrez que são disponibilizados gratuitamente pela internet. Neste particular existe um importante detalhe a ser considerado e que já puniu alguns enxadristas do grupo bloqueando suas inscrições. A plataforma Lichess  tem como detectar a fraude e por conseguinte pune todo e qualquer metralha.

Mas a vida não gira somente em torno destes três semideuses do xadrez rio-grandense. Teve aquele que acenou positivamente para seu irmão desde o quarto, vestindo que estava uma camiseta verde da Sociedade Esportiva Palmeiras. Esse mesmo. O 1978. Gustavo El Hanini (foto acima) que com sete pontos ficou em quarto lugar e vice-campeão local.

versão bajeense do Rubens Barrichello!

Outro destaque foi o retorno do grande personagem e que em breve será objeto de pesquisas nos livros de historia e dos grandes vultos do xadrez na metade sul do Rio Grande do Sul que já deve constar no Wikipédia – o amigo de todos, versão bajeense do Rubens Barrichello.

Cabe aqui no breve, mas importante esclarecimento. O redator deste texto não está sendo jocoso muito menos desmerecendo um ou outro personagem, ou seja,  Barrichello e Ignácio. Acontece que mesmo num esporte considerado top dos top e ninho de cobras como é o circulo da Fórmula 1, onde a inimizade acontece até dentro da mesma equipe – o piloto brasileiro Rubens Barrichello é uma das raríssimas exceções à regra. Ele literalmente tinha livre transito em todas as equipes, comissários, pilotos e quem quer que fosse. Boa gente. Chorão. Emotivo por excelência. Ignácio Marrero não é diferente. Até hoje, desde que comando o xadrez do BFXC desconheço algum desafeto do Marrero ou alguma atitude que desabone este grande indigite de nosso xadrez do MERCOSUL.

Estou falando de IGNÁCIO MARRERO. O camarada que sabe perder, mas muitas vezes não sabe ganhar. Calma. Explico. Perder para ele faz parte da vida conforme sua forma de encarar os fatos. Mas quando ele vence não foram raros os momentos em que esta eventual vitória o deixou triste. Pode parecer um comportamento bipolar, mas na verdade IGNÁCIO MARRERO é um sujeito daqueles que encontramos apenas uma vez na vida. Extremamente ético e sensível. Se sua vitória entristeceu seu adversário – o que é algo normal, IGNÁCIO se compadece e fica triste, abalado.

Defeito ou virtude?

 Difícil definir esta atitude de nosso amigo. Fosse  em circunstancias normais este que vos escreve esta breve crônica, posso assegurar que ninguém venceria o primeiro tabuleiro de Bagé. Com 6,5 pontos o quinto lugar não condiz com a realidade muito menos com a posição na tabela deste grande ídolo CBX – Clube Bajeense de Xadrez e seus 2046 de rating.

PLÍNIO ou BOBBY FISCHER?

Enquanto isso do outro lado do Rio Grande do Sul – na fronteira com a Argentina outro fenômeno – não confundamos com o saudoso Diego Pelaez que está em paz em Montevidéu, capital uruguaia – e sim em Uruguaiana João César Júnior ida de mal a pior. Mais conhecido por PLÍNIO, O JOVEM – João não estava em seus dias.  Ele teve um início de jornada semelhante ao Brandt – duas vitórias em sequencia. Massacre avassalador. Ainda tinham mais nove pela frente. Todos indicativos, agora – podemos concluir que Plínio gastou todo seu “Quissuco” e fez, e como, falta para a terceira e quarta rodadas. Inexplicavelmente as duas rodadas seguintes ele deu uma de Bobby Fischer. Simplesmente desapareceu. Por onde andaria. Teria ele sofrido algum ataque psicótico a exemplo do lendário Bobby Fischer quando enfrentou o soviético Boris Spassky em 1972 pela disputa do título mundial.  A turma se preocupou, tentou a todo custo mandar mensagens, contatar pelo face book e watsapp e nada. Mistério. Perdeu duas partidas por W.O. e o sábado se despediu deixando que os guerreiros desta batalha da inteligência finalmente gozassem de um merecido descanso.

 A VOLTA DO TODO PODEROSO

A manhã de domingo dia 4 trouxe o sol. Muita luz e a claridade. Teve início o último dia dos confrontos.  A classificação final sairia até no máximo às 16h30min. Como determinava o cronograma de rodadas do torneio a partir das 10h00min seriam jogadas as cinco partidas finais. Duas de manhã e as outras três a partir das 14h00min. Precisamente o programa Lichess emparceirou a sétima rodada e para a surpresa agradável de todos Plinio aparecera. O que ocorreu ninguém descobriu. Há desconfiança de que Plínio perdera a conexão de internet devido à falta de energia em seu bairro. Azar dos que ousaram enfrentar neste triunfante retorno. Tomaram uma surra que deve estar doendo até hoje, dia três de dezembro – data ao qual escrevo estas memórias. Seus 2146 não foram obtidos de graça e sim por força de muito empenho, dedicação e estudos.

Na penúltima rodada – a décima, Plínio como vinha nua crescente teve pela frente um osso duro de roer e de força equivalente. Como num mantra rotineiro ele se lembrou do filme Falcão o campeão dos campeões – estrelado por Sylvester Stallone quando em suas lutas de quebra de braço incorporava um super-homem quando virava o quepe de seu boné para trás e não fez diferente. Olhou quem a ele tocava – repetiu seu álter ego e se preparou para a guerra. No xadrez em geral o homem trava sozinho e solitário suas batalhas.

Só que do outro lado tinha outro enxadrista que talvez tivesse um segredo escondido para enfrentar o  poderoso João César Sylvester Stallone Júnior. Plínio ao cair na realidade verde brilhante em forma de kriptonita que neutralizou seus eventuais poderes de super-homem lhe conferido pelo quepe virado do boné amargou sua terceira derrota. Com os dois W.O. já eram cinco pontos perdidos. O desanimo só não foi maior porque sua última partida conseguiu vencer apenas empurrando as peças – tamanha era a fragilidade do oponente. Com seis pontos curiosamente Plínio ficou em sexto e ganhou uma medalha.

A sétima colocação com uma regularidade bem razoável para um estreante – cinco vitórias, cinco derrotas e um empate, Leonardo Douglas da Silva Silva de Salvador do Sul com seus 2035 fez por merecer integrar o seleto e privilegiado grupo LICHESS Escola  Aberta Celina Vares Albornoz/Bobby Fischer Xadrez Clube. Fez bonito. Não se intimidou diante dos Ban-Ban-Ban e virtuais vencedores antecipados a julgar pela sua ótica analisando o histórico de cada integrante. Venceu as que sua força permitia e mesmo contra os super-heróis do grupo ele nunca deixou de morrer sem lutar. Seu empate heroico veio na sexta rodada após uma instabilidade de perda e ganha sucessivas.

O primeiro da região metropolitana de Porto Alegre foi Moisés Henrique Piangers que não era nenhum desconhecido. Ele já havia disputado outro grande torneio promovido pelo Bobby Fischer Xadrez Clube e sendo premiado em sua categoria, vice-campeão Geral Master. Ele é muito amigo e referencia para Norberto Schmidt seu vizinho morador em São Leopoldo e que presentou Moisés ao grupo. 1867 não é a data de seu nascimento, mas a pontuação de rating que este ídolo de “Nóia” tem no Lichess. Piangers venceu apenas quatro partidas e empatou duas – totalizando 5,0 pontos que era, conforme os analistas – o teto limite máximo que ele poderia alcançar. Pelo número expressivo de participantes até que Moisés superou as expectativas ficando em oitavo à frente de fortes e renomados adversários que ele deixou para trás. Moisés não é um novato na família Bobby Fischer – no torneio comemorativo do aniversário de Santana do Livramento ele conquistou  o terceiro lugar na categoria Geral Máster.

CAMPEÃO E VICE DE RIVERA

2019 foi o rating do Mestre Pinga que se sagrou campeão de Rivera neste 28ºClausura Escola Aberta Celina Vares Albornoz trazendo logo em seu retrovisor o eterno premiado que nunca aparece nas fotos. Ambos com a mesma pontuação e um oceano de força separando eles. Os 5,0 pontos do imperador Trajano Souza veio de cinco vitórias ao passo que Pedro Bustamante, o fantasma, teve quatro pontos de vitórias e um de W.0. Só que se perde no tempo a última vez que Bustamante apareceu para receber sua medalha. Há quem diga que – a exemplo dos teóricos da conspiração de plantão que asseguram que existe um reptiliano usando o nick do saudoso Diego Rodolfo Pelaez, o hepta campeão departamental e fenômeno de Rivera para jogar no grupo clausura do BFXC/CVA na plataforma Lichess, o nick Peterchess77 que se refere ao Pedro Bustamante também é um mistério a ser desvendado e investigado.

Talvez por uma tecnologia que ainda não conhecemos toda vez que a equipe do Bobby Fischer vai homologar sua premiação é recebido por uma porta com número três. Olha que esta não foi a única vez que ao chegarmos a ele logo se transforma em porta e fica segurando a medalha pela maçaneta da cor dourada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Classificação dos dez primeiros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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